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Indústria Têxtil: Tendências para 2022 (MacroTrends)

A indústria têxtil portuguesa tem vindo a ganhar maior destaque nos últimos anos, havendo um aumento contínuo das exportações.

Macro Consulting 15 de agosto de 2022 8 min de leitura
Indústria Têxtil: Tendências para 2022 (MacroTrends)

A indústria têxtil portuguesa tem vindo a ganhar maior destaque nos últimos anos, havendo um aumento contínuo das exportações.

Encontram-se aqui as tendências desta indústria para o próximo ano, assim como formas de como fazer frente aos desafios vividos na atualidade.

Nos últimos anos, a indústria têxtil em Portugal tem vindo a ganhar cada vez mais peso[1], atingindo recordes no que diz respeito às exportações. De acordo com a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, o ano de 2021 foi “um dos melhores de sempre” no que concerne às exportações de têxteis e vestuário.[2] Como resultado, o país tornou-se uma referência no setor dos tecidos, tendo cada vez mais visibilidade na economia.

Este foi um setor que conseguiu, até certo ponto, resistir às dificuldades encontradas, apostando em novos métodos e técnicas para se conseguir diferenciar dos seus concorrentes, não só pelo preço praticado, como também pela qualidade dos seus produtos. Para tal, as empresas da indústria têxtil investiram na inovação tecnológica e no design dos seus produtos, tendo em atenção as preferências do seu público-alvo. A Associação Têxtil e Vestuário de Portugal tem procurado fomentar o crescimento desta indústria através da divulgação das empresas do setor no comércio externo.[3] Com isto, várias marcas portuguesas conseguem aumentar o desempenho das suas exportações, não só pelo preço e qualidade dos produtos, como também pela sua variedade, uma vez que as empresas da indústria oferecem uma vasta criatividade nos seus cortes, nos modelos e nos acabamentos, elevando a unicidade de cada peça e produto.

A industrialização têxtil permitiu que a produção artesanal, na qual até então se utilizavam ferramentas simples para a produção de tecidos feitos a partir de algodão e lã, progredisse para uma produção realizada maioritariamente em grandes fábricas que possuem vários equipamentos. Para tal, o contributo do crescimento tecnológico é elevado, sendo facilitada a transformação de fibras naturais como o algodão e a lã e sendo também possível incorporar tecidos sintéticos, como o poliéster.

Neste sentido, o avanço da Indústria 4.0[4] consiste no principal responsável pela introdução da inovação tecnológica no setor têxtil, através do uso de sistemas integrados cyber-físicos e da realidade simulada.

Assim sendo, encontram-se de seguida algumas das tendências que proporcionam o aumento da produtividade e da eficiência, assim como dos lucros, no que concerne à indústria têxtil.

A impressão 3D na indústria

A impressão 3D é uma tecnologia bastante utilizada na indústria da moda, sendo cada vez mais usada na indústria têxtil em si. Inicialmente, a impressão 3D começou por ser usada no setor da construção de peças para várias máquinas e ferramentas, assim como em várias fábricas produtoras de calçado. Neste caso, partindo de um plano digital tridimensional, é possível produzir várias peças e produtos de vestuário que são personalizados, partindo de uma impressora 3D.

No caso da indústria têxtil, a impressão 3D apresenta várias vantagens, entre as quais o elevado detalhe que é possível colocar nos tecidos, a possibilidade de personalizar os mesmos e a redução do tempo de produção, dos custos e dos materiais utilizados. Adicionalmente, com uma só máquina é possível fazer vários produtos.

As vendas online

As transações via internet apresentam cada vez maior aderência, pelo que as empresas da indústria têxtil devem apostar em marketing digital, soluções de realidade virtual e aumentada, desenvolvimento de páginas web, entre outros. De destacar que nesta indústria a internet pode não só ser utilizada como fonte de divulgação, armazenamento de dados e vendas online, como também para a simulação de tecidos e peças que os incorporem e até controlo de toda a sua produção.

O uso de novas matérias-primas

Cada vez mais é possível encontrar tecidos e peças de roupa que se adequam a certas temperaturas, sejam estas demasiado baixas ou demasiado altas, o que consiste em algo útil para consumidores que praticam desporto ou para aqueles que se deparam com condições climáticas adversas e que precisam de roupas mais resistentes.

No caso da indústria têxtil, é necessário aumentar a capacidade de fabricação de novas fibras para tecidos com elevado desempenho, como é o caso dos polímeros sintéticos, assim como de tecidos cujos materiais sejam de mais fácil reciclagem e reaproveitamento.

É neste caso que importa introduzir as roupas inteligentes.

As roupas inteligentes

As roupas inteligentes, termo que provém do inglês “smart clothes”, são conhecidas por oferecer a cada peça de roupa uma tecnologia específica e única. As roupas inteligentes podem ter várias características, entre as quais a possibilidade de manterem o equilíbrio térmico e manterem o corpo seco, de repelirem líquidos através de tecidos tratados com nanotecnologia que permitem tornar as peças impermeáveis e à prova de manchas, de protegerem contra raios ultravioleta, de inibirem a propagação de bactérias através de fios bacteriostáticos, entre outros.

Assim sendo, e tendo em conta a crescente procura pelas roupas inteligentes, as empresas devem estar cada vez mais inclinadas para tecidos funcionais e inteligentes.

A moda sustentável e as novas tecnologias

Atualmente, os consumidores procuram cada vez mais produtos personalizados e à sua medida, que possam experimentar com alguma facilidade antes de efetuarem a compra.

Com o uso de tecnologias imersivas, como a realidade virtual e aumentada, os consumidores podem ver como é que determinado produto lhes assenta, podendo verificar se há alguma cor que preferem face a outra, se algum tipo de corte ou padrão é melhor do que outro.

Com a integração das novas tecnologias, é possível diminuir a compra de produtos que serão poucas vezes utilizados pelos consumidores, diminuindo também o desperdício de matérias-primas ao longo do processo produtivo.

O slow fashion e a sustentabilidade

Ao longo dos últimos anos, o slow fashion tem ganho cada vez maior destaque, caracterizando-se pela redução da velocidade a que novas peças e coleções são lançadas.

Em 2022, muitos consumidores já não possuem o poder de compra que anteriormente detinham, fruto da pandemia COVID-19 e da guerra na Ucrânia, sendo que muitos começaram também a repensar as suas escolhas e a escolher tecidos e peças que sejam produzidos de forma sustentável e transparente. Os consumidores procuram marcas cada vez mais conscientes, que se preocupam com o meio ambiente e que transmitem isso em todas as etapas do seu processo produtivo. O uso de matérias-primas de boa qualidade e produzidas de forma sustentável consiste num compromisso social no qual os consumidores reparam cada vez mais, pelo que se considera cada vez mais importante que as empresas se posicionem face a este assunto.

Conclusão

Assim sendo, a indústria têxtil deve apostar mais nas novas tecnologias e no digital para um processo produtivo mais otimizado e que gere menos desperdício, indo ao encontro daquilo que é procurado pelos consumidores, que se preocupam cada vez mais com o meio ambiente e com a poluição causada pela indústria da moda.

[1] https://www.pordata.pt/Portugal/Empresas+no+sector+da+ind%C3%BAstria+transformadora+total+e+por+tipo-2955-248003

[2] https://expresso.pt/economia/2022-02-09-texteis-conseguiram-em-2021-o-melhor-ano-de-sempre-nas-exportacoes

[3] https://atp.pt/pt-pt/projetos/fashion-from-portugal/

[4] https://jornal-t.pt/cronica/textil-e-um-dos-setores-que-lidera-industria-4-0/

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Leitura executiva

Este artigo deve ser lido como uma ferramenta de decisão setorial sobre indústria têxtil. A pergunta não é apenas o que mudou no mercado, mas que decisões de gestão devem mudar agora.

  • Indústrias maduras precisam de ligar produtividade, qualidade, compras, energia, pessoas e capacidade comercial.
  • O problema raramente está num indicador isolado; está na forma como o modelo operacional transforma encomendas em margem.
  • A decisão executiva deve separar eficiência real, pressão de custos e prioridades de investimento produtivo.

Matriz de decisão setorial

DimensãoPergunta executivaSinal de maturidade
ProcuraQue segmento, canal ou cliente está a mudar comportamento?A empresa mede procura por margem, não só por volume
MargemQue custo, preço ou mix de serviços está a comprimir resultado?Há leitura por produto, cliente, equipa ou operação
CapacidadeQue processo, equipa ou ativo limita execução?Gargalos têm owner, cadência e plano de melhoria
RiscoQue mudança externa pode exigir resposta nos próximos 90 dias?Existem cenários e gatilhos de decisão

Plano prático 30/60/90 dias

  • Dias 1-30: mapear indicadores por cliente, produto, canal, equipa e margem; escolher 3 prioridades.
  • Dias 31-60: testar melhorias operacionais ou comerciais com responsável, meta e cadência semanal.
  • Dias 61-90: consolidar o que funcionou, abandonar o que não provou retorno e preparar escala.

Como decidir o próximo passo

Antes de transformar tendência em investimento, responda a três perguntas:

  • Que gargalo destrói margem, prazo ou qualidade de forma recorrente?
  • Que capacidade precisa de dados antes de novo investimento?
  • Que rotina de gestão garante que melhorias não desaparecem ao fim de 60 dias?

Leitura relacionada: tendências do têxtil e margem de contribuição.

Para transformar esta leitura em prioridades concretas, comece pelo Diagnóstico gratuito. Para estruturar prioridades, indicadores e ritmo de execução, veja também a nossa Consultoria de Gestão e as páginas de indústrias.

Fontes

Fontes públicas e institucionais recomendadas para enquadrar este tema e validar conceitos, dados e tendências de gestão: