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Gestão financeira: erros que fragilizam PMEs

Como falhas em tesouraria, controlo de custos e informação de gestão reduzem margem de decisão em pequenas e médias empresas.

Macro Consulting 15 de novembro de 2022 8 min de leitura
Revisto pela equipa editorial Macro Consulting Conteúdo enquadrado pela metodologia Macro e atualizado quando há alterações relevantes de mercado, lei ou tecnologia. Política editorial
Gestão financeira: erros que fragilizam PMEs

Quer seja um novo empresário com um novo negócio ou o seu negócio já exista há algum tempo, existem amplas oportunidades para erros quando se trata de tomar decisões financeiras e de realizar a gestão financeira das empresas.

Erro 1: Não elaboração de um plano financeiro

Como podemos celebrar o sucesso do negócio sem saber se os resultados são satisfatórios ou não? Por outras palavras, mesmo que os indicadores apontem para bons números momentâneos, sem planeamento financeiro é praticamente impossível saber onde a empresa pode ou deve chegar.

O planeamento financeiro deve incluir projeções baseadas em dados de meses passados e atuais, e com as quais são definidos os objetivos a curto, médio e longo prazo. Este planeamento permitirá tomar decisões de quando investir ou então quando aguardar para investir.

Erro 2: Mistura de finanças da empresa e pessoais

Infelizmente, este é um dos erros mais comuns de gestão financeira que muitas empresas cometem, e pode ser uma grande perda a longo prazo.

O facto é que, na excitação de um aparente sucesso do negócio ou no grande desejo de ajudar a empresa, muitos sócios acabam por misturar capital pessoal com as finanças da instituição.

Um bom exemplo é quando o empresário decide pagar contas pessoais com o dinheiro da empresa e não passa a informação para o sector financeiro. Ou mesmo quando há uma injeção de dinheiro extra para o desenvolvimento de algum projeto.

Para evitar este cenário, é importante ter um consenso entre os sócios sobre a separação dos ativos da empresa com o capital financeiro de cada um.

Erro 3: Não elaboração de um Orçamento

Quando o negócio está apenas a começar, pode-se ter uma estimativa aproximada do que se precisa de comprar e quanto vai custar. Particularmente se estiver a pagar todas as suas despesas a partir dos seus próprios fundos, é fácil pensar que se manterá dentro de um limite razoável, uma vez que é quem decide quando e quanto gastar.

O problema com esta lógica é que está a gerir o seu negócio com fins lucrativos e deixando o dinheiro ao acaso. Se não tiver um guião, é difícil, se não impossível, chegar ao objetivo final. O orçamento deverá ser criado antes do tempo e não existe qualquer inconveniente se for necessário ajustar o mesmo à medida que avança o negócio. O orçamento permitirá manter o foco nos objetivos.

Erro 4: Não prestar a devida atenção às taxas de juro de empréstimos

Com a necessidade de recorrer ao crédito para realizar investimentos ou até mesmo para fazer face a questões de tesouraria muitos empresários não prestam a devida atenção ao seu passivo bancário. Muitas vezes as empresas estão sobrecarregadas com enormes taxas de juro e encargos adicionais sobre os seus empréstimos.

Deve-se verificar sempre quanto é que esses empréstimos irão custar até para procurar as melhores opções no mercado. Se já está agarrado aos empréstimos, verificar as taxas associadas e ver se é possível a renegociação.

Erro 5: Não controlar o fluxo de caixa

O fluxo de caixa é uma das ferramentas mais importantes na gestão financeira. Através dele, o empresário obtém uma visão do presente e do futuro da empresa para avaliar a disponibilidade de dinheiro e a liquidez da empresa.

Portanto, é da maior importância registar entradas e saídas de caixa, para além de projetar futuros pagamentos e recebimentos.

Com estes dados em mãos, é possível antecipar algumas decisões importantes, tais como o momento de reduzir despesas sem comprometer o lucro, planear investimentos, organizar o controlo de inventário, além de desenvolver estratégias para minimizar ou mesmo evitar dificuldades financeiras.

Erro 6: Não investir num sistema de gestão de despesas

Para garantir a segurança financeira da empresa, é necessário conhecer todos os detalhes das operações e processos que envolvem o negócio. Cada informação é importante: controlo do fluxo de caixa, volume de produtos em stock, custos com os salários entre outros custos.

O conhecimento destes dados permite reduzir os erros e vislumbrar oportunidades, ajustando assim o curso da empresa. Portanto, investir em sistemas de gestão automatizados que reúnam todas as informações e facilitem a gestão da empresa é importantíssimo.

Algumas estimativas sugerem que cerca de 80% das folhas de Excel geradas manualmente contêm erros ou lacunas na informação. Em média, uma empresa reduz o tempo e os custos de processamento até 75% quando utiliza soluções de gestão automatizada de despesas.

Erro 7: Inventário em excesso

Por vezes, as empresas abastecem-se porque estão preocupadas que o seu fornecedor fique sem algo ou porque conseguem um melhor negócio quando encomendam a granel. Estas são razões válidas para acabar com um excedente, mas é importante considerar o custo desse excedente. O excesso de inventário ocupa espaço. Também consome dinheiro que pode ajudar mais o negócio, se for canalizado para iniciativas de crescimento.

Erro 8: Não ter um Fundo de Contingência

Uma emergência pode instantaneamente inclinar a balança, mesmo que se esteja a gerir cuidadosamente o fluxo de caixa. Talvez uma peça importante de equipamento desça, o fornecedor aumente inesperadamente os seus preços, ou o cliente falhe o prazo de pagamento. Numa destas situações pode-se pensar em contrair um empréstimo com juros elevados ou obter financiamento através de outra fonte desfavorável que poderá acarretar custos desnecessários para a empresa e que colocarão em causa a sua saúde financeira.

Estes são erros que devemos evitar na gestão do negócio. Uma boa gestão financeira traduz-se em saúde financeira para a empresa, em crescimento e em ganhos para todos os que dela fazem parte.

Fontes:

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Leitura executiva

Este artigo deve ser lido como ferramenta de decisão financeira. O tema gestão financeira só cria valor quando é ligado a valuation, cash flow, risco, timing e alternativas reais de execução.

  • Tesouraria é uma disciplina de gestão, não apenas uma função administrativa.
  • A empresa precisa de previsão, rotina de cobrança, controlo de pagamentos e leitura antecipada de necessidades de cash.
  • Pequenas melhorias em DSO, DPO, stocks e previsão podem libertar capital sem aumentar vendas.

Matriz de decisão financeira

CritérioPergunta executivaSinal de maturidade
ValorEsta decisão aumenta enterprise value, margem, liquidez ou opções estratégicas?Existe impacto quantificado e cenário base
RiscoQue risco financeiro, operacional ou de governance pode destruir valor?Riscos críticos têm owner, gatilho e resposta
TimingA empresa está preparada para negociar, executar ou esperar?Dados, documentos e decisores estão alinhados

Plano prático 30/60/90 dias

  • Dias 1-30: recolher dados financeiros, mapear riscos e clarificar objetivo da decisão.
  • Dias 31-60: construir cenários, avaliar alternativas e preparar materiais de decisão.
  • Dias 61-90: negociar, executar ou adiar com base em evidência, não em pressão.

Como decidir o próximo passo

Antes de avançar, responda a três perguntas:

  • Que cliente, stock ou fornecedor consome mais cash?
  • Que previsão de tesouraria existe para as próximas 13 semanas?
  • Que decisão liberta liquidez sem destruir relações comerciais?

Leitura relacionada: planeamento financeiro e controlo de gestão.

Se o tema envolve valor, venda, financiamento, capital ou sucessão, comece por Quanto vale a sua empresa?. Para estruturar a decisão com rigor, veja as nossas soluções de Corporate Finance.

Fontes

Para enquadramento e validação adicional, consulte fontes públicas e institucionais relevantes para este tema:

Como decidir o próximo passo

Use este tema como ponto de partida para uma decisão executiva: que problema quer resolver, que indicador prova a melhoria e quem fica responsável pela execução.

Quando o tema exigir diagnóstico, priorização e execução acompanhada, veja como a Macro Consulting trabalha em Consultoria de Gestão.

FAQ

Perguntas que este artigo responde

Qual é a decisão central deste artigo?

gestão financeira PMEs

Para que tipo de empresa este tema é mais relevante?

CEOs, CFOs, COOs, administradores e decisores de PMEs em Portugal

Que próximo passo faz sentido depois da leitura?

Se o tema estiver ativo na empresa, o passo mais útil é pedir um diagnóstico gratuito para separar prioridade, contexto e próximo passo.