Gestão financeira: erros que fragilizam PMEs
Como falhas em tesouraria, controlo de custos e informação de gestão reduzem margem de decisão em pequenas e médias empresas.
Quer seja um novo empresário com um novo negócio ou o seu negócio já exista há algum tempo, existem amplas oportunidades para erros quando se trata de tomar decisões financeiras e de realizar a gestão financeira das empresas.
Erro 1: Não elaboração de um plano financeiro
Como podemos celebrar o sucesso do negócio sem saber se os resultados são satisfatórios ou não? Por outras palavras, mesmo que os indicadores apontem para bons números momentâneos, sem planeamento financeiro é praticamente impossível saber onde a empresa pode ou deve chegar.
O planeamento financeiro deve incluir projeções baseadas em dados de meses passados e atuais, e com as quais são definidos os objetivos a curto, médio e longo prazo. Este planeamento permitirá tomar decisões de quando investir ou então quando aguardar para investir.
Erro 2: Mistura de finanças da empresa e pessoais
Infelizmente, este é um dos erros mais comuns de gestão financeira que muitas empresas cometem, e pode ser uma grande perda a longo prazo.
O facto é que, na excitação de um aparente sucesso do negócio ou no grande desejo de ajudar a empresa, muitos sócios acabam por misturar capital pessoal com as finanças da instituição.
Um bom exemplo é quando o empresário decide pagar contas pessoais com o dinheiro da empresa e não passa a informação para o sector financeiro. Ou mesmo quando há uma injeção de dinheiro extra para o desenvolvimento de algum projeto.
Para evitar este cenário, é importante ter um consenso entre os sócios sobre a separação dos ativos da empresa com o capital financeiro de cada um.
Erro 3: Não elaboração de um Orçamento
Quando o negócio está apenas a começar, pode-se ter uma estimativa aproximada do que se precisa de comprar e quanto vai custar. Particularmente se estiver a pagar todas as suas despesas a partir dos seus próprios fundos, é fácil pensar que se manterá dentro de um limite razoável, uma vez que é quem decide quando e quanto gastar.
O problema com esta lógica é que está a gerir o seu negócio com fins lucrativos e deixando o dinheiro ao acaso. Se não tiver um guião, é difícil, se não impossível, chegar ao objetivo final. O orçamento deverá ser criado antes do tempo e não existe qualquer inconveniente se for necessário ajustar o mesmo à medida que avança o negócio. O orçamento permitirá manter o foco nos objetivos.
Erro 4: Não prestar a devida atenção às taxas de juro de empréstimos
Com a necessidade de recorrer ao crédito para realizar investimentos ou até mesmo para fazer face a questões de tesouraria muitos empresários não prestam a devida atenção ao seu passivo bancário. Muitas vezes as empresas estão sobrecarregadas com enormes taxas de juro e encargos adicionais sobre os seus empréstimos.
Deve-se verificar sempre quanto é que esses empréstimos irão custar até para procurar as melhores opções no mercado. Se já está agarrado aos empréstimos, verificar as taxas associadas e ver se é possível a renegociação.
Erro 5: Não controlar o fluxo de caixa
O fluxo de caixa é uma das ferramentas mais importantes na gestão financeira. Através dele, o empresário obtém uma visão do presente e do futuro da empresa para avaliar a disponibilidade de dinheiro e a liquidez da empresa.
Portanto, é da maior importância registar entradas e saídas de caixa, para além de projetar futuros pagamentos e recebimentos.
Com estes dados em mãos, é possível antecipar algumas decisões importantes, tais como o momento de reduzir despesas sem comprometer o lucro, planear investimentos, organizar o controlo de inventário, além de desenvolver estratégias para minimizar ou mesmo evitar dificuldades financeiras.
Erro 6: Não investir num sistema de gestão de despesas
Para garantir a segurança financeira da empresa, é necessário conhecer todos os detalhes das operações e processos que envolvem o negócio. Cada informação é importante: controlo do fluxo de caixa, volume de produtos em stock, custos com os salários entre outros custos.
O conhecimento destes dados permite reduzir os erros e vislumbrar oportunidades, ajustando assim o curso da empresa. Portanto, investir em sistemas de gestão automatizados que reúnam todas as informações e facilitem a gestão da empresa é importantíssimo.
Algumas estimativas sugerem que cerca de 80% das folhas de Excel geradas manualmente contêm erros ou lacunas na informação. Em média, uma empresa reduz o tempo e os custos de processamento até 75% quando utiliza soluções de gestão automatizada de despesas.
Erro 7: Inventário em excesso
Por vezes, as empresas abastecem-se porque estão preocupadas que o seu fornecedor fique sem algo ou porque conseguem um melhor negócio quando encomendam a granel. Estas são razões válidas para acabar com um excedente, mas é importante considerar o custo desse excedente. O excesso de inventário ocupa espaço. Também consome dinheiro que pode ajudar mais o negócio, se for canalizado para iniciativas de crescimento.
Erro 8: Não ter um Fundo de Contingência
Uma emergência pode instantaneamente inclinar a balança, mesmo que se esteja a gerir cuidadosamente o fluxo de caixa. Talvez uma peça importante de equipamento desça, o fornecedor aumente inesperadamente os seus preços, ou o cliente falhe o prazo de pagamento. Numa destas situações pode-se pensar em contrair um empréstimo com juros elevados ou obter financiamento através de outra fonte desfavorável que poderá acarretar custos desnecessários para a empresa e que colocarão em causa a sua saúde financeira.
Estes são erros que devemos evitar na gestão do negócio. Uma boa gestão financeira traduz-se em saúde financeira para a empresa, em crescimento e em ganhos para todos os que dela fazem parte.
Fontes:
- https://everestcard.com/2021/12/10/5-financial-management-mistakes-you-should-avoid/
- https://vivacf.net/insights/common-business-financial-mistakes/
- https://www.smallbusinessrainmaker.com/small-business-marketing-blog/5-common-financial-mistakes-small-business-owners-want-to-avoid
- https://lffinancialplanning.co.uk/10-common-financial-planning-mistakes/
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Leitura executiva
Este artigo deve ser lido como ferramenta de decisão financeira. O tema gestão financeira só cria valor quando é ligado a valuation, cash flow, risco, timing e alternativas reais de execução.
- Tesouraria é uma disciplina de gestão, não apenas uma função administrativa.
- A empresa precisa de previsão, rotina de cobrança, controlo de pagamentos e leitura antecipada de necessidades de cash.
- Pequenas melhorias em DSO, DPO, stocks e previsão podem libertar capital sem aumentar vendas.
Matriz de decisão financeira
| Critério | Pergunta executiva | Sinal de maturidade |
|---|---|---|
| Valor | Esta decisão aumenta enterprise value, margem, liquidez ou opções estratégicas? | Existe impacto quantificado e cenário base |
| Risco | Que risco financeiro, operacional ou de governance pode destruir valor? | Riscos críticos têm owner, gatilho e resposta |
| Timing | A empresa está preparada para negociar, executar ou esperar? | Dados, documentos e decisores estão alinhados |
Plano prático 30/60/90 dias
- Dias 1-30: recolher dados financeiros, mapear riscos e clarificar objetivo da decisão.
- Dias 31-60: construir cenários, avaliar alternativas e preparar materiais de decisão.
- Dias 61-90: negociar, executar ou adiar com base em evidência, não em pressão.
Como decidir o próximo passo
Antes de avançar, responda a três perguntas:
- Que cliente, stock ou fornecedor consome mais cash?
- Que previsão de tesouraria existe para as próximas 13 semanas?
- Que decisão liberta liquidez sem destruir relações comerciais?
Leitura relacionada: planeamento financeiro e controlo de gestão.
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Fontes
Para enquadramento e validação adicional, consulte fontes públicas e institucionais relevantes para este tema:
- OECD productivity and business dynamics
- INE - Empresas em Portugal
- Banco de Portugal - Quadros do Setor
Como decidir o próximo passo
Use este tema como ponto de partida para uma decisão executiva: que problema quer resolver, que indicador prova a melhoria e quem fica responsável pela execução.
- Clarifique o impacto esperado em margem, caixa, produtividade ou risco.
- Defina um responsável e uma cadência de acompanhamento.
- Compare a decisão com outros temas próximos, como dashboard de controlo de gestão e KPI.
Quando o tema exigir diagnóstico, priorização e execução acompanhada, veja como a Macro Consulting trabalha em Consultoria de Gestão.
Perguntas que este artigo responde
Qual é a decisão central deste artigo?
gestão financeira PMEs
Para que tipo de empresa este tema é mais relevante?
CEOs, CFOs, COOs, administradores e decisores de PMEs em Portugal
Que próximo passo faz sentido depois da leitura?
Se o tema estiver ativo na empresa, o passo mais útil é pedir um diagnóstico gratuito para separar prioridade, contexto e próximo passo.